Metástases ósseas

Dados apontam que cerca de dois terços dos pacientes portadores de câncer apresentarão metástases ósseas, mais comumente para a coluna vertebral. Uma metástase ocorre quando as células do câncer se espalham pelo corpo e invadem ossos, órgãos e tecidos adjacentes. Qualquer tipo de câncer é capaz de gerar metástase óssea, porém os que mais causam são justamente alguns dos mais incidentes na população brasileira, como os de mama, próstata e pulmão.

“A ocorrência de metástase óssea poderá ser em poucos meses ou até mesmo depois de anos a partir do diagnóstico da doença. A radioterapia tem um papel fundamental no tratamento da metástase óssea, que pode ser ablativo (curativo) da lesão óssea (geralmente em pacientes com poucas lesões) ou, às vezes, para alívio da dor causada pela lesão óssea. Usualmente, são tratamentos ambulatoriais muito efetivos, de curta duração e realizados em uma a cinco sessões, cita o rádio-oncologista Henrique Balloni, do Oncoville, clínica de radioterapia.

Um dos problemas também apresentados pela metástase óssea é a dor e o risco de fraturas que podem ser minimizados quando submetidos à radioterapia local. 

Técnicas de radioterapia 
“Existem diversas técnicas de radioterapia que podem ser utilizadas no tratamento das metástases ósseas. A definição da melhor técnica e do número de sessões dependem das condições clínicas do paciente, do tipo de tumor, da localização da lesão óssea bem como dos tratamentos associados de quimioterapia, hormonioterapia ou imunoterapia utilizados pelo paciente”, cita Dr. Balloni.

A radioterapia é uma modalidade terapêutica que tem como principal objetivo inibir e/ou destruir a capacidade de crescimento de células tumorais. Para isso, usa radiação ionizante, que pode ser utilizada para tratar diversos tipos de tumores, que podem ser malignos ou benignos. É considerada um dos pilares no enfrentamento do câncer, juntamente com a cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia e a imunoterapia.

Contar com uma equipe multidisciplinar altamente especializada assegura a excelência no tratamento e com isso os resultados podem ser mais assertivos. Além de contar com médicos, físicos médicos, enfermeiros, tecnólogos de radioterapia, a equipe é composta também pelos dosimetristas.

Segundo a American Association of Medical Dosimetrists – AAMD, o dosimetrista é um membro da equipe de radioterapia que tem conhecimento das características gerais e relevância clínica das máquinas e equipamentos de tratamento, está ciente dos procedimentos comumente usados na braquiterapia e tem a educação e perícia necessárias para gerar distribuições de dose (planejamentos) e cálculos de dose com a supervisão do físico médico e com o rádio-oncologista. Esse conceito é pactuado também pela Associação Brasileira dos Dosimetristas – ABD.

No Oncoville, as dosimetristas são responsáveis pela simulação do tratamento radioterápico, delineamentos dos órgãos que estão próximos à região de tratamento, fusão das imagens e cálculo de dose.

De acordo com a dosimetrista Nayara Saty Murakami, do Oncoville, “Na etapa da simulação, confeccionamos os acessórios imobilizadores para conforto do paciente e reprodutibilidade do posicionamento em todos os dias do tratamento. E é nessa etapa também que são feitas as marcações na pele do paciente, com uma caneta permanente e, logo em seguida, é colocado um adesivo transparente para que essas marcações não desapareçam. É importante o paciente manter as marcas na pele até o final do tratamento, porém quando iniciar o tratamento, os tecnólogos irão trocar os adesivos quando houver necessidade. Após a confecção dos acessórios e das marcações, realizamos o exame de tomografia computadorizada (TC) da região de tratamento”.

Delineamento dos órgãos de risco

Após a realização da tomografia computadorizada de planejamento, as imagens são inseridas no sistema de planejamento, e as dosimetristas delineiam os órgãos sadios que estão próximos da região de tratamento para, posteriormente, o médico delinear o local que irá tratar. 

Fusão das imagens

Em muitos casos, para que o médico desenhe o local de tratamento, são necessários outros exames de imagem, como ressonância magnética e PET-CT, por exemplo, e é função do dosimetrista colocar esses exames no sistema de planejamento. “Por isso, é importante que o paciente traga seus exames no dia da simulação, pois poderemos utilizá-los para o planejamento”, cita Thayna Lechenacoski Kreknicki, também dosimetrista do Oncoville.

Cálculo de dose

O dosimetrista pode inserir no sistema de planejamento a melhor composição de campos de tratamento, para que a dose prescrita pelo médico seja entregue na região de tratamento, minimizando a dose nos tecidos circunvizinhos. E sempre com a supervisão de um físico-médico.

Acessórios imobilizadores para os tratamentos radioterápicos

Para fazer uma sessão de radioterapia são necessários acessórios imobilizadores, a depender da localização do tumor.

Colchão a vácuo: um acessório bastante versátil, já que pode ser moldado para tratamentos na região do tórax, abdome, pelve e extremidades. “Esse colchão fica bem rígido, com o formato do paciente e todas as marcas da pele precisam coincidir com as marcas feitas no colchão usado para o tratamento”, cita Nayara.

Suporte para joelho e pé: é um acessório bastante utilizado para tratamentos na região da pelve, em que o paciente precisa encaixar o joelho e o pé nos locais adequados para ficar na posição mais confortável possível.

Máscara termoplástica: é um acessório que é utilizado para tratamentos no crânio e no pescoço. Essa máscara é feita de um material termoplástico que fica flexível em água morna e enrijece com o formato desejado à medida que esfria. É necessário que o paciente fique aproximadamente 15 minutos com a máscara, que é o tempo de ela terminar de enrijecer.

Vale ressaltar que existem outros acessórios imobilizadores, e o melhor acessório imobilizador para o uso durante o tratamento será escolhido pela equipe médica na etapa da simulação. “Lembrando que todos os acessórios imobilizadores ficam no Oncoville, e só o paciente poderá usar”, cita Thayna.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer é celebrado hoje, 8 de abril. A data surgiu para reforçar a importância sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), o número de casos de neoplasias vem crescendo nas duas últimas décadas, fazendo com que a prevenção continue sendo a principal arma contra a doença.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que no período de 2020 a 2022 serão 625 mil novos casos de câncer no Brasil por ano, sendo o câncer de pele não melanoma o mais incidente no país, com 177 mil novos casos. Em segundo lugar estão os tumores de mama e próstata, com 66 mil casos cada.

O INCA ainda reforça que cerca de 80% a 90% de todos os casos de câncer estão associados a fatores externos, como o tabagismo, exposição excessiva ao sol, hábitos alimentares, alcoolismo em excesso, fatores ocupacionais, entre outros que podem ser evitados. 

Os números mostram que é fundamental a conscientização da população em manter hábitos saudáveis e também realizar os exames preventivos com frequência. Se você estiver com alguma dúvida ou reparou algo diferente em sua saúde, procure um especialista. Quando diagnosticado em caso inicial, as taxas de cura aumentam e os tratamentos são menos invasivos.