Radioterapia permite tratamentos mais precisos contra o câncer colorretal
A campanha Março Azul-Marinho é dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, um dos tipos de câncer mais comuns no Brasil e no mundo. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que serão 53.810 novos casos anuais no período 2026-2028. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a iniciativa reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e das opções de tratamento, entre elas a radioterapia, que desempenha papel essencial em diversos casos.
A rádio-oncologista do Oncoville, Luana Guerreiro, explica que o câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, geralmente a partir de pólipos, que são pequenas lesões que podem crescer lentamente ao longo dos anos e se tornar malignas.
Alguns fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, entre eles a idade acima de 50 anos, histórico familiar de câncer colorretal, dieta rica em carnes processadas e pobre em fibras, sedentarismo, obesidade, doenças inflamatórias intestinais, tabagismo e consumo frequente de álcool. “A presença desses fatores não significa necessariamente que a doença irá surgir, mas indica a importância de acompanhamento preventivo.”
Em estágios iniciais, o câncer colorretal pode não causar sintomas. Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem a mudança persistente no hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal frequente, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente, fadiga e anemia.
Importância da radioterapia
A radioterapia é uma das principais modalidades de tratamento, especialmente nos tumores de reto. Ela pode ser indicada em diferentes momentos. Antes da cirurgia serve para reduzir o tumor e facilitar o procedimento, após a cirurgia visa diminuir o risco de recidiva e, em situações específicas, busca o controle de sintomas e melhora da qualidade de vida. “Com técnicas modernas e equipamentos de ponta, a radioterapia permite tratamentos mais precisos e seguros, preservando tecidos saudáveis e reduzindo efeitos colaterais”, analisa Dra. Luana Guerreiro.
Assim como qualquer tipo de câncer, quando identificado precocemente, o câncer colorretal apresenta altas taxas de cura, podendo ultrapassar 90%. Os principais exames de rastreamento são pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia.
A recomendação geral é iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos ou antes para pessoas com fatores de risco ou histórico familiar.
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre quem está prestes a iniciar o tratamento.
A resposta mais honesta é: depende do caso, mas muitos pacientes conseguem manter suas atividades, às vezes com pequenos ajustes na rotina.
A radioterapia é um tratamento local e, com os avanços tecnológicos atuais, os efeitos colaterais tendem a ser mais controlados, já que a radiação é planejada de forma precisa para atingir o tumor e preservar ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.
Ainda assim, alguns fatores influenciam diretamente na disposição para o trabalho:
- Região do corpo tratada
- Dose e número de sessões
- Tipo de tumor
- Condições clínicas do paciente
- Resposta individual ao tratamento
A fadiga é um dos efeitos mais frequentes e pode causar cansaço persistente, mesmo sem esforço intenso. Dependendo da área irradiada, também podem surgir sintomas específicos, como alterações de pele, intestinais ou urinárias.
Em muitos casos, é possível seguir trabalhando normalmente. Em outros, pode ser necessário reduzir a carga horária ou até se afastar temporariamente.
Cada paciente é único. Por isso, a melhor decisão é sempre aquela tomada em conjunto com o médico responsável pelo tratamento.
Manter o diálogo aberto com a equipe de saúde ajuda a atravessar essa fase com mais segurança, equilíbrio e qualidade de vida.
Braquiterapia ginecológica é uma forma de tratamento que permite administrar a radiação diretamente na região afetada
A campanha de conscientização Março Lilás foi criada pelo Ministério da Saúde como forma de alertar sobre o câncer do colo do útero, chamado também de cervical, e a importância dos exames de rastreamento, métodos de prevenção e o diagnóstico precoce. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam, para o triênio 2026- 2028, uma média de 17 mil novos casos da doença por ano, sendo o terceiro mais incidente em mulheres no Brasil e que é considerado evitável.
A maioria dos casos de câncer do colo do útero estão relacionados à infecção por HPV (Papilomavírus humano), principalmente os tipos HPV-16 e o HPV-18, vírus transmitido com contato com pele e/ou mucosa, principalmente durante a relação sexual.
Como forma de prevenção da infecção, o rádio-oncologista Daniel Neves, do Oncoville, clínica de radioterapia, aponta “a vacinação contra o HPV como uma grande aliada na prevenção do câncer uterino”, lembrando também da importância de estar em dia com o exame preventivo de Papanicolau como forma de identificar, o mais precocemente, possíveis lesões que causam o câncer de colo do útero.
Os tipos mais comuns de câncer do colo do útero são o carcinoma de células escamosas, também chamado de carcinoma epidermoide, que é responsável por cerca de 80% dos casos, o adenocarcinoma, que é menos frequente e tem origem nas células glandulares da parte interna do colo, e o carcinoma adenoescamoso, que é uma combinação dos dois tipos citados anteriormente.
O que é braquiterapia
O tratamento desse tipo de câncer vai depender do estágio da doença, do tipo do tumor e das condições gerais de saúde da paciente, por isso é fundamental o acompanhamento médico. “Como opções terapêuticas, temos a cirurgia, radioterapia externa, braquiterapia, quimioterapia e imunoterapia. Estas modalidades de tratamento são avaliadas caso a caso visando à realização de tratamento oncológico baseado nas melhores evidências científicas atuais para cada paciente”, aponta o rádio-oncologista Daniel Neves, do Oncoville.
Uma técnica importante para o melhor tratamento de pacientes com tumor localmente avançado, é a braquiterapia, a qual administra alta dose na região de risco. Na braquiterapia ginecológica 3D, o planejamento é feito baseado em tomografia, o que permite a avaliação de dose tanto na região tumoral, quanto nos órgãos normais próximos, potencialmente otimizando resultados e reduzindo risco de efeitos colaterais.
Cada vez mais evidências apontam que a saúde mental também exerce papel relevante na prevenção
Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet, uma das mais prestigiadas revistas científicas médicas do mundo, reforça uma mensagem central para a saúde pública global: grande parte das mortes por câncer poderia ser evitada com estratégias já conhecidas como prevenção, detecção precoce e tratamento.
A pesquisa da revista britânica analisou dados de 35 tipos de câncer em 185 países, oferecendo um panorama abrangente sobre o potencial de redução da mortalidade pela doença. Entre os seus resultados, um chamou bastante atenção ao revelar que quase metade das mortes por câncer poderia ser evitada. Dos 47,6% das mortes por câncer no mundo em 2022, cerca de 4,5 milhões eram potencialmente evitáveis. Isso significa que praticamente uma em cada duas mortes não precisaria ocorrer se medidas efetivas fossem amplamente implementadas.
Os pesquisadores classificam essas mortes em preveníveis, relacionadas à redução de fatores de risco, e as evitáveis por cuidado adequado, quando diagnóstico precoce e tratamento eficaz aumentariam as chances de sobrevivência. Entre as mortes consideradas preveníveis, destacam-se fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, infecções associadas ao câncer (como HPV e hepatites) e exposição à radiação ultravioleta.
Os resultados também reforçam que a detecção em fases iniciais e o acesso a tratamentos eficazes têm impacto direto na sobrevivência. Em nível global, 14,4% das mortes poderiam ser evitadas apenas com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Saúde mental como forma de prevenção
A prevenção do câncer costuma ser associada a hábitos físicos, como alimentação saudável, prática de exercícios e abandono do tabagismo. No entanto, cada vez mais evidências apontam que a saúde mental também exerce papel relevante na redução de riscos e na promoção de comportamentos protetores. Cuidar da mente, portanto, é parte importante do cuidado integral com o corpo.
O rádio-oncologista do Oncoville, Henrique Balloni, explica que a prevenção do câncer deve ser entendida de forma ampla. “Cuidar da saúde mental não apenas melhora a qualidade de vida, mas também favorece escolhas e comportamentos que reduzem fatores de risco. Integrar o cuidado emocional às estratégias de prevenção é um passo essencial para uma abordagem mais humana e eficaz da saúde.”
Embora a saúde mental não substitua medidas clássicas de prevenção, ela potencializa seus efeitos. Algumas ações recomendadas incluem manter uma rotina de sono adequada, praticar atividade física regularmente, cultivar relações sociais e apoio emocional, buscar ajuda profissional em casos de estresse, ansiedade ou depressão e adotar técnicas de relaxamento e manejo do estresse. “Essas práticas contribuem para o bem-estar e facilitam a manutenção de comportamentos saudáveis, fundamentais para reduzir o risco de câncer e outras doenças crônicas, destaca o rádio-oncologista Henrique Balloni.

