Atenção com a saúde bucal no inverno durante o tratamento oncológico
Durante o inverno muitos lembram de cuidados para evitar resfriados, gripes ou que a imunidade fica baixa. No entanto, se esquecem que a saúde bucal também deve ter atenção redobrada nas épocas mais frias do ano, principalmente para os pacientes oncológicos.
É comum que no inverno haja uma redução do consumo de água e uma tendência à ingestão de alimentos “mais pesados”, o que pode causar impacto na saúde bucal. Sem hidratação suficiente a boca fica mais seca, e a alimentação inadequada e higiene bucal deficiente são condições capazes de provocar cáries, por exemplo.
Os pacientes oncológicos devem reforçar ainda mais os cuidados. O câncer não precisa ser necessariamente em região de boca ou face para causar complicações diretamente na cavidade oral durante e após o tratamento oncológico.
“As complicações bucais agudas e tardias do tratamento oncológico podem ser prevenidas ou minimizadas se o paciente for corretamente orientado e assistido por um cirurgião-dentista especialista. O acompanhamento odontológico causa um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes oncológicos”, ressalta a cirurgiã-dentista do Oncoville, Aristilia P. Tahara Kemp.
Prevenção durante todas as estações do ano
O encerramento da campanha Julho Verde não significa que os cuidados devem ser deixados de lado, muito ao contrário. Vale ressaltar que sempre é melhor prevenir do que remediar. E a prevenção, neste caso, é muito importante. Há um ditado que diz que “a saúde começa pela boca”, afinal, o aparecimento de doenças bucais pode ser reflexo de alguma doença do corpo ou mesmo a alteração da boca pode levar a alguma doença sistêmica. Por isso, os cuidados devem permanecer durante o ano todo. Escovar os dentes após as refeições e fazer consultas regulares com o cirurgião-dentista são métodos importantes de prevenção das patologias bucais.
Independente da época do ano, cada estação merece o devido cuidado. E fica o alerta: ao perceber qualquer alteração na região bucal ou no organismo, e que não passam rapidamente ou que surgiram sem motivo aparente, procure a ajuda de um especialista. Ele irá te encaminhar para os profissionais que podem avaliar e diagnosticar de forma correta qualquer doença benigna ou maligna. Fique atento aos sinais do seu corpo!
O câncer de boca afeta lábios, estruturas da boca, como gengiva, língua, céu da boca, soalho bucal (região embaixo da língua), palato e região retromolar (atrás dos dentes do siso). A doença é mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo a maioria dos casos diagnosticados em estágios avançados.
“Com diagnóstico precoce, que é o fator principal para a cura da doença, tem-se 90% de chance cura, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)”, destaca a cirurgiã-dentista do Oncoville, clínica de radioterapia, Dra. Aristilia Pricila Tahara Kemp.
HPV: causador do câncer de boca
Já é senso comum que bebidas alcoólicas em excesso e o tabagismo são os vilões do câncer de boca. Porém, há outro fator de risco que merece muita atenção: o HPV – sigla em inglês para papilomavírus humano.
O HPV é um vírus que favorece o aparecimento do câncer na região de orofaringe, mas está presente apenas em um pequeno número de casos de tumores malignos na boca. Ele é mais comum em garganta, amígdalas e o terço mais posterior da língua – cerca de 70% dos pacientes com cânceres nessas regiões têm o vírus. A família do vírus HPV compreende mais de 200 tipos diferentes, porém, somente nove são caracterizados como de alto risco para câncer. O HPV16, por exemplo, é fortemente associado ao câncer de orofaringe.
Estimativa do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos aponta que 80% das pessoas serão infectadas pelo HPV em algum momento de suas vidas e que 99% delas estarão livres do vírus em função de seu próprio sistema imunológico. Mas ainda se tem esse 1%.
Por isso, a recomendação é tomar a vacina contra o HPV. Desde 2014, o programa de vacinação brasileiro oferece a vacina para meninas de 9 a 15 anos e para meninos de 11 a 14 anos nos postos de saúde. É fundamental a população ter consciência da importância da vacinação contra o HPV, pois, além do câncer de cabeça e pescoço, ajuda na prevenção contra outros tipos de câncer, como do colo do útero.
Higiene bucal
Em 2019, o Indian Journal of Surgical Oncology publicou um estudo que concluiu que a má higiene oral está fortemente associada ao câncer oral. A doutora Aristilia Pricila Tahara Kemp alerta sobre a importância da escovação adequada, o uso correto do fio dental e a utilização de dentifrícios fluoretados e enxaguante oral. “Se você perceber qualquer alteração na cavidade bucal, é importante consultar um especialista em estomatologia, cirurgião-dentista especializado no diagnóstico de lesões de boca, que irá ajudá-lo no correto diagnóstico.”
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer – INCA apontam para o ano de 2024 o número de 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço – neste total, estão incluídos os tumores de boca (cavidade oral), laringe e tireoide. Mesmo diante desse elevado número de casos, a boa notícia fica pela grande possibilidade de cura, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Segundo a entidade, que lançou a Campanha Julho Verde há 10 anos para intensificar os alertas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer, o índice de cura pode chegar a 90%, se tratado precocemente.
O câncer de cabeça e pescoço se caracteriza pelo surgimento de tumores malignos que aparecem na boca, faringe, laringe, seios da face, tireoide, glândulas salivares e tumor da paratireoide.
A cirurgiã-dentista do Oncoville, clínica de radioterapia, Aristilia Pricila Tahara Kemp, faz o alerta: “Ao sentir qualquer desconforto ou incômodo na garganta, por exemplo, ou caso tenha surgido uma ferida na boca ou região da cabeça e do pescoço, a orientação é procurar um especialista para que a lesão seja precocemente avaliada e tratada”.
Vale a pena lembrar que o diagnóstico precoce aumenta a chance de cura, porém, muitas vezes as pessoas não se dão conta de sinais que podem apontar alguma doença. Por isso, fica a orientação de fazer um autoexame da boca. Em frente ao espelho, abra bem a boca e procure por alterações nas mucosas e na língua. “Muito importante estar atento a feridas que não doem e não cicatrizam há mais de 15 dias. Isso pode representar sinal de malignidade. Olhe também a parte lateral da língua e no soalho bucal, procurando por placas brancas ou vermelhas que não são removíveis”, ressalta a cirurgiã-dentista.
Além desses sinais na parte interna da boca, é preciso ficar atento aos lábios, pois a exposição intensa ao sol – pessoas que realizam trabalho externo e expostas, por exemplo – pode favorecer o aparecimento de pequenas feridas, que aparentemente não doem. “É preciso consultar um cirurgião-dentista ou médico para uma avaliação mais detalhada para que se possa fazer o diagnóstico precoce e realizar o melhor tratamento”, sentencia Aristilia Pricila Tahara Kemp.

