Paciente oncológico deve redobrar os cuidados no inverno
Começou o inverno no Hemisfério Sul, estação que traz uma preocupação a mais com para a saúde e, principalmente, a imunidade. Neste período, são frequentes as doenças respiratórias, como gripe, resfriado, rinite alérgica, asma, bronquiolite e pneumonia. Em geral, o aumento do número de doenças é consequência do tempo seco que estamos vivendo e também da instabilidade climática, típica dessa época do ano, que acabam favorecendo a disseminação de doenças virais e o desencadeamento das crises alérgicas.
Pacientes que estão em tratamento quimioterápico (que tem principal função destruir as células cancerígenas do organismo, mas também pode afetar células sadias, inclusive as do sistema imunológico) devem ter cuidado redobrado para evitar as infecções típicas do inverno.
Gripes e resfriados são as doenças mais comuns e são causadas por vírus, mas a gripe causa um quadro mais grave e duradouro que o resfriado. Em ambos os casos pode ocorrer tosse, fraqueza, congestão nasal, espirro e coriza, mas a gripe pode evoluir e a pessoa apresentar febre e dor de cabeça.
Um dado importante que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – SBOC, apresenta é que a imunização de pacientes oncológicos contra o vírus da Influenza pode reduzir em até 58% o risco de mortalidade por esse tipo de infecção. Por isso, é fundamental que todos os pacientes com câncer, a partir dos 6 meses de idade, recebam o imunizante, mas desde que o médico do paciente tenha consentido.
Prevenção
Veja algumas dicas para se proteger melhor no inverno:
Beba mais água: em dias mais frios, a tendência é beber pouco líquido. Fique atento à ingestão de água, ela pode prevenir a pele seca e dores de garganta. Consuma de acordo com a recomendação para seu peso e estilo de vida, mesmo que não tenha muita sede. Lembre-se: a água ajuda a manter o corpo e o sistema imunológico funcionando adequadamente.
Exercite-se regularmente: pratique, de preferência, regularmente, mesmo que o frio reduza sua motivação para se exercitar. O exercício faz bem à nossa saúde física e mental.
Cuide da alimentação: invista em bebidas e alimentos quentes, eles são uma forma de manter o corpo aquecido. Caldos, sopas e chás são excelentes para esta época do ano e ajudam na regulação da temperatura corporal.
Melhore a circulação do ar em sua casa: esta é a época do ano em que a incidência de doenças virais transmitidas pelo ar é alta. Por isso, mantenha uma boa circulação de ar para evitar ambientes poluídos. Além disso, vale colocar roupas, cobertores, tapetes e outros tecidos ao sol. Essa é uma tática que ajuda a eliminar fungos e outros micróbios causadores de doenças.
Use protetor solar: é essencial proteger a pele do sol mesmo no inverno, já que os raios ultravioleta permanecem com potencial de causar câncer de pele e manchas, ainda mais para os pacientes em tratamento com quimioterapia e radioterapia.
Umidifique o ambiente: no inverno, o clima costuma ser mais seco, ressecando a pele e as vias respiratórias, deixando nossos corpos vulneráveis a doenças e outros problemas respiratórios. Umidificar os cômodos de casa é uma ótima maneira de prevenir isso e proteger a sua saúde. Você pode usar um umidificador, deixar a porta do banheiro aberta durante o banho para que a umidade se distribua pela casa ou até mesmo colocar uma toalha ou uma vasilha com água no cômodo, pois a evaporação vai umidificar o ambiente.
Os dois principais tipos são o carcinoma de pequenas células e o carcinoma de não pequenas células
Estatísticas do Instituto Nacional de Câncer – INCA mostram que o câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres no Brasil (exceção do câncer de pele não melanoma), atingindo cerca de 30 mil brasileiros anualmente. Em 90% dos casos esse tumor está relacionado ao tabagismo. Além disso, há, também, fatores ligados à poluição do ar e à exposição a agentes químicos ou físicos.
As estimativas do INCA reforçam a importância de conscientizar a população sobre esse tipo de câncer que afetará em homens, cerca de 18 mil novos casos, e em mulheres 14 mil novos casos. Uma das melhores formas de prevenção é evitar o consumo de tabaco e manter o distanciamento de pessoas que fumam, evitando a exposição passiva.
Os dois principais tipos de câncer de pulmão são o carcinoma de pequenas células e o carcinoma de não pequenas células. Eles se diferenciam pela aparência de suas células. O carcinoma de pequenas células é o tipo mais agressivo de câncer e pode se disseminar rapidamente para outras partes do corpo, gerando metástases. Está fortemente vinculado ao consumo de tabaco. Já o carcinoma de não pequenas células é o tipo mais frequente, sendo responsável por 90% dos casos.
Ao perceber algum sintoma, busque um especialista
Os sintomas do câncer de pulmão costumam aparecer quando a doença já está em um estágio avançado, como tosse ou rouquidão persistentes, escarro com sangue, cansaço e falta de ar, dor no peito e perda de peso e apetite. Ao sentir alguns desses sintomas, é recomendado procurar orientação médica imediatamente. Caso o diagnóstico da doença se confirme, é preciso dar início ao tratamento, visando um melhor prognóstico.
Pessoas que fumam devem estar em alerta e fazer os exames de rotina regularmente. Para fumantes acima de 50 anos é recomendado, como forma de rastreamento, a Tomografia Computadorizada de Tórax com baixa dose de radiação (TCBD), que deverá ser feita anualmente. A TCBD deverá ser indicada sob orientação médica.
Tratamento pode ser feito com radioterapia
Assim como qualquer tipo de câncer, o tratamento vai depender do estágio da doença, podendo ser utilizadas a cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia. O físico-médico Paulo Petchevist, do Oncoville, explica que as sessões de radioterapia para esse tipo de tumor são para atingir o local afetado para o controle da doença, com o objetivo de reduzir os sintomas e diminuir a possibilidade de progressão.
“Hoje em dia, os serviços de radioterapia dispõem de alta tecnologia para estudar o movimento do tumor de pulmão no momento da tomografia computadorizada de simulação. Neste estudo é possível entender como o tumor se movimenta durante o ciclo respiratório e assim irradiá-lo de forma focada, precisa e em poucas aplicações. A técnica utilizada é a SBRT (Radioterapia Estereotáxica do Corpo), onde muitos campos pequenos de irradiação são dispostos para entregar altas de doses de tratamento em até 5 frações ao volume-alvo no pulmão”.
Ao realizar a programação do tratamento, que é feita inicialmente antes do tratamento propriamente dito, também é realizado um estudo do movimento do tumor de pulmão no momento da tomografia computadorizada de simulação, assim é possível entender como ele se movimenta durante o ciclo respiratório e possibilitando a irradiação de forma focada, precisa e com poucas aplicações. “Técnicas que conformam e/ou modulam o feixe de radiação quando associadas a técnicas de localização, como a IGRT (Radioterapia Guiada por imagem), trazem resultados muito consistentes, pois têm a capacidade de entregar altas doses ao volume-alvo, preservando muito os tecidos e órgãos circunvizinhos a ele. Outra possibilidade é usar a tomografia 4DCT aliada à Radioterapia, então chamada de técnica de Radioterapia 4D, torna possível tratar um alvo móvel num instante específico em que ele se afasta dos órgãos sadios próximos. Para isso, esta técnica utiliza o próprio movimento respiratório do paciente para ligar e desligar o feixe de radiação de acordo com a posição do volume-alvo”, ressalta.
Hábitos saudáveis devem permanecer após o tratamento
Estudos indicam que a probabilidade de retorno da doença varia de acordo com o estágio, de 1 a 4, com o tipo de câncer e com os hábitos da pessoa. Essa possibilidade de o tumor voltar não é exclusivo do câncer de pulmão. No entanto, esses pacientes, em alguns casos, voltam a fumar após o tratamento, contribuindo para o retorno da doença. Mesmo depois do tratamento, é fundamental a pessoa manter hábitos saudáveis e não deixar de realizar exames de rotina indicados pelos médicos.

