Evite alguns hábitos que potencializam o risco de desenvolver câncer
Segundo informações do Ministério da Saúde, são esperados 704 mil casos novos de câncer no Brasil para cada ano do triênio 2023-2025, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que concentram cerca de 70% da incidência. As informações são da publicação Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil, lançada pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA.
Por isso, vale ressaltar a importância de se ter hábitos saudáveis. Já é de conhecimento que uma parte significativa dos tumores está associada a fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles que podem ser evitados. Saiba o que fazer para reduzir o risco de desenvolver um câncer
Tabagismo
O uso do tabaco continua sendo uma das principais causas de mortes evitáveis em todo mundo. Em média, as pessoas que fumam morrem cerca de 10 anos mais cedo do que as pessoas que nunca fumaram. Além de aumentar o risco de câncer, fumar pode causar várias outras doenças, como infecções respiratórias, impotência sexual, osteoporose, catarata, entre outras, e danificar quase todos os órgãos do corpo.
Obesidade e sobrepeso
Estudos populacionais sugerem que a obesidade e o sobrepeso estão ligados a um aumento geral do risco de desenvolver diversos tipos de tumores. Entre eles, destaque para o câncer de mama, principalmente em mulheres que estão na pós-menopausa, câncer colorretal, de endométrio, de esôfago e de fígado.
Bebida alcoólica
O uso de álcool é responsável por cerca de 6% de todos os cânceres e 4% de todas as mortes por câncer nos Estados Unidos. O consumo excessivo está relacionado a tumores de cabeça e pescoço (boca, garganta), esôfago, fígado e mama, entre outros. Por isso, a recomendação é tolerância zero para bebidas alcoólicas.
Sedentarismo
A prática de atividade física regular é uma estratégia importante para se manter saudável, independentemente da idade. Segundo estudos, a atividade física pode diminuir o risco de certos tipos de câncer, além de impactar na redução de uma série de outras condições médicas sérias e comuns. A recomendação é 150 minutos por semana ou 30 minutos por dia.
Exposição solar excessiva
A maioria dos cânceres de pele está intimamente relacionada à exposição aos raios ultravioleta da luz solar ou de fontes artificiais, as já conhecidas câmaras de bronzeamento. Como medida de prevenção, é preciso evitar exposição ao sol, sobretudo no horário compreendido entre 10h e 16h, usar protetor solar, com FPS mínimo de 30, usar óculos escuros com proteção UV, roupas que protegem o corpo (proteção UV), chapéus, bonés. E é importante reaplicar o protetor solar a cada três ou horas ou de duas em duas horas em casos de transpiração excessiva, exposição solar prolongada ou mesmo depois de molhar a pele (piscina, mar).
Infecções virais e câncer
Alguns tipos de tumores sólidos podem estar ligados a infecções virais prévias, como o câncer de colo do útero e a infecção por HPV; ou o hepatocarcinoma (tipo de câncer do fígado) e a infecção por vírus da hepatite B ou C. Existem vacinas contra vários desses vírus, então, recomenda-se dar a devida atenção à carteira de vacinação e deixar tudo em dia.
5 efeitos perigosos de ter alimentos queimados ou carbonizados
Pesquisadores descobriram recentemente que comer alimentos cozidos em altas temperaturas, como carne vermelha e frituras, eleva o risco de câncer. O suposto culpado disso é o DNA danificado pelo processo de cozimento, ou seja, a comida processada.
Por isso, para reduzir o risco de câncer, é recomendável evitar queimar ou cozinhar demais os alimentos. Uma orientação é cozinhá-los em temperaturas mais baixas por longos períodos de tempo.
- Vários estudos sugerem que consumir alimentos queimados pode aumentar o risco de certos tipos de câncer. Quando o alimento é cozido em excesso ou queimado, ele pode formar compostos chamados aminas heterocíclicas (HCAs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HPAs), que são carcinógenos conhecidos. Estes compostos têm sido associados a um aumento do risco de câncer de cólon, estômago e pâncreas.
- Problemas respiratórios: a queima de alimentos pode liberar fumaças prejudiciais, o que pode irritar o sistema respiratório e causar problemas.
- Problemas digestivos: alimentos queimados ou carbonizados podem ser difíceis de digerir e podem causar problemas gastrointestinais como náuseas, vômitos e diarreias.
- Aumento do risco de doenças cardíacas: consumir alimentos queimados ou carbonizados regularmente pode aumentar o risco de doenças cardíacas, promovendo inflamação no corpo e aumentando os níveis de estresse oxidativo.
- Perda de nutrientes: o cozimento excessivo ou a queima de alimentos podem levar à perda de nutrientes, o que pode ter um impacto negativo na saúde e no bem-estar em geral
O Oncoville Atendimento Oncológico Integral promove no dia 24 de agosto (quinta-feira) seu meeting sobre câncer de cabeça e pescoço a partir das 19h, com transmissão ao vivo via plataforma digital. Intitulado “CEC de orofaringe HPV positivo: implicações prognósticas e seu racional nas evoluções terapêuticas”, o evento traz grandes expoentes no cenário nacional voltados ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço.
Dr. Daniel Neves, coordenador do encontro e rádio-oncologista do Oncoville, destaca a importância da promoção desse tipo de evento para fomentar a discussão científica entre os profissionais que atuam no tratamento do paciente com câncer: “O objetivo desse meeting é discutir o melhor balanço para o paciente entre opções terapêuticas e risco de efeitos colaterais, visando não só conciliar a melhor taxa possível de controle, mas também a melhor qualidade de vida”.
Entre os temas debatidos neste evento está a palestra “Mudança de perfil epidemiológico de CEC de orofaringe e suas implicações terapêuticas”, que será realizada pelo oncologista clínico Thiago Bueno, do A.C. Camargo Cancer Center.
O tema “Papel da cirurgia robótica no tratamento radical de CEC de orofaringe HPV induzido?” também será discutido e para falar sobre o assunto o Oncoville traz o cirurgião oncológico Renan Bezerra Lira, do A.C. Camargo Cancer Center e do Hospital Albert Einstein.
Para encerrar a programação de palestras, o rádio-oncologista do Hospital do Amor (Barretos) Alexandre Arthur Jacinto aborda “Radioterapia em CEC de orofaringe HPV+: avanços atuais e perspectivas futuras”.
Apresentação casos clínicos
Com o objetivo de discutir aspectos modernos do tratamento de CEC de orofaringe HPV positivo e visando agregar conhecimento e experiência, será realizada também apresentação de casos clínicos, feita pela cirurgiã de cabeça e pescoço Paola. A. G. Pedruzzi, do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP, e pelo oncologista clínico Bruno Ribeiro Batista, do Centro de Oncologia do Paraná – COP.
O evento é voltado para médicos cirurgiões, oncologistas clínicos, rádio-oncologistas, residentes e acadêmicos de medicina, que poderão interagir virtualmente durante as discussões dos trabalhos.
As inscrições são gratuitas, com vagas limitadas e podem ser feitas pelo link https://www.sympla.com.br/evento-online/evento-oncoville-cabeca-e-pescoco-meeting/2071413
Radioterapia de cabeça e pescoço teve grande avanço com a implementação de técnicas de IMRT e VMAT
Estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que anualmente são diagnosticados cerca de 43 mil novos casos de tumores de cabeça e pescoço que atingem principalmente boca (língua, assoalho da boca, palato duro, gengivas, mucosa da boca, lábio), orofaringe (região das amígdalas, base da língua, palato mole, parte lateral e posterior da garganta), demais regiões da faringe, laringe, etc. A Campanha Julho Verde foi idealizada justamente para conscientizar a população sobre a importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço.
O rádio-oncologista Daniel Neves, do Oncoville, explica que muitas vezes os tumores de cabeça e pescoço podem ser assintomáticos no início da doença, o que leva à demora do diagnóstico e isso é um problema, já que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Porém, em 60% dos casos, o paciente chega com o tumor avançado, deixando sequelas para o indivíduo. “Por ser uma doença curável, fica o alerta para a importância da detecção precoce. Estes tumores possuem grandes chances de prevenção e com medidas simples é possível evitar o desenvolvimento da doença, entre elas refrear ou abandonar os fatores de risco, como o tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas, responsáveis por cerca de 90% dos casos. O HPV (papilomavírus humano) também pode ser o agente causador de alguns tumores, especialmente o câncer da orofaringe”, aponta.
Os principais sintomas do câncer de cabeça e pescoço são: aparecimento de nódulo no pescoço, manchas brancas ou avermelhadas na boca, ferida que não cicatriza em duas semanas, dor de garganta que não melhora em 15 dias, dificuldade ou dor para engolir e alterações na voz ou rouquidão por mais de 15 dias. Qualquer sinal de alerta é fundamental procurar um especialista.
Tratamento do câncer de cabeça e pescoço tem suas particularidades
A região de cabeça e pescoço possui diversas estruturas funcionais muito próximas umas das outras, como é o caso da cavidade oral, mandíbula, medula, parótidas, glândulas submandibulares, laringe, esôfago, tireoide, etc. O físico médico do Oncoville, Paulo Petchevist, explica que é por isso “quando um tratamento radioterápico precisa ser feito neste local é necessário uma apropriada imobilização para que o paciente não se mova e por consequência as estruturas que desejamos proteger não entrem na região de tratamento. Isso é feito através de uma máscara termoplástica moldada ao rosto do paciente no momento da tomografia de planejamento. Quando encaixada ao rosto diariamente, a máscara permitirá que a região da cabeça e do pescoço do paciente fique posicionada e alinhada para o tratamento.”
A radioterapia de cabeça e pescoço teve um avanço muito grande com a implementação de feixes modulados como nas técnicas de IMRT – Radioterapia de Intensidade Modulada e mais recentemente pelo VMAT – Arcoterapia Volumétrica Modulada. O uso dessas técnicas possibilita entregar doses altíssimas à região-alvo reduzindo ao máximo as doses em estruturas sadias circunvizinhas. “Uma boa imobilização com máscaras termoplásticas, aliada a técnicas de irradiação moduladas, como IMRT ou VMAT, completam-se com a utilização de técnicas refinadas de imagem pré-tratamento (IGRT –
Radioterapia Guiada por Imagem). Com ela é possível fazer imagens do local que está sendo tratado, antes do início de cada sessão, e fundi-la com aquelas de planejamento. Quando qualquer discrepância entre as imagens, por mais que seja submilimétrica, é corrigida pela mesa robótica que o paciente está deitado. A aplicação dessa técnica de imagem garante a reprodutibilidade necessária para a correta entrega de dose ao volume tumoral diariamente.”
Participação dos dosimetristas durante o tratamento
A garantia de que a máquina de radioterapia entregará a dose prescrita pelo médico rádio-oncologista à região-alvo do paciente depende diretamente do controle de qualidade e dosimetria que os físicos médicos da instituição realizam continuamente. As estruturas sadias na região de cabeça e pescoço são muito próximas umas às outras e para concentrar a dose alta de radiação ao volume-alvo, com a menor irradiação possível dos órgãos sadios, é necessário que a máquina responda elétrica, dosimétrica e mecanicamente ao que se espera dela. Para isso, testes de desempenho diários, mensais, trimestrais e anuais são feitos para garantir a precisão de posicionamento e entrega de dose ao paciente. “Além disso, um desses testes de controle de qualidade para feixes modulados é feito de forma personalizada, avaliando se a distribuição de dose que foi planejada será entregue precisamente ao paciente. Isso é feito anteriormente ao primeiro dia de tratamento, trazendo ainda mais segurança na execução de irradiação para cada caso”, destaca Paulo Petchevist.

