Tabagismo é fator de risco para o câncer
O hábito de fumar é um dos maiores problemas de saúde do mundo
O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência da nicotina presente nos produtos à base de tabaco, que é fator de risco para muitas doenças oncológicas e não oncológicas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o tabaco é responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo. Desse total, mais de 7 milhões são resultado do uso direto desse produto e cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo. Pensando nesses números alarmantes, em 1987 a OMS criou o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. Ainda segundo a OMS, o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
Dados do Instituto Nacional de Câncer — INCA mostram que o câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil e é o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. O levantamento ainda aponta que cerca de 13% de todos os casos novos de câncer são de pulmão. O rádio-oncologista do Oncoville, Henrique Balloni, explica que a data tem como principal objetivo alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo, entre elas o câncer. “Entre os tipos de neoplasias que apresentam o tabagismo como fator de risco estão: câncer de pulmão, câncer de estômago, câncer de cólon e reto, tumores de cabeça e pescoço, câncer de rim e ureter, câncer do colo do útero, câncer de esôfago, câncer de bexiga, câncer de pâncreas, câncer de fígado e leucemia mieloide aguda.”
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam o tabagismo como o responsável pela morte de mais de 150 mil pessoas a cada ano no Brasil. Atualmente, cerca de 20 milhões de pessoas são fumantes no país, mas, graças às campanhas feitas em território nacional nos últimos anos, este número está caindo. Campanhas para a população parar de fumar são fundamentais, ainda mais pelo fato de o tabagismo, segundo a OMS, ser considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo. “Já é de conhecimento popular que o cigarro é um dos grandes agentes causadores de problemas pulmonares, cardíacos e também a associação do cigarro ao risco de mortalidade de câncer não só pulmonar, como em outras partes do corpo”, destaca Henrique Balloni.
O tabagismo na América Latina
Estudos mostram que nos últimos 12 anos a quantidade de fumantes no Brasil caiu mais de 40%, fazendo do país um exemplo mundial na redução do tabagismo. Várias medidas e campanhas foram implantadas para reduzir o consumo das substâncias derivadas do tabaco nas últimas décadas, principalmente a partir da década de 1990.
Enquanto apenas 11% da população brasileira fuma – com a maior prevalência no Sul e Sudeste e menor no Norte e Nordeste –, os nossos vizinhos chilenos lideram com a maior taxa de fumantes na América do Sul. No Chile, 36% da população faz uso do tabaco, seguido pelo Suriname, com 25%, Argentina, com 21%, e Uruguai, com 16%.
Vale o lembrete para parar de fumar, pois o risco de desenvolver diversas doenças diminui gradativamente e o organismo vai se restabelecendo. É fundamental procurar ajuda de um especialista para o sucesso desse processo.
Além do câncer, doenças do aparelho respiratório, por exemplo, doença pulmonar obstrutiva crônica e doenças cardiovasculares, como, por exemplo, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial e acidente vascular cerebral, o tabagismo também contribui para o desenvolvimento de outras doenças, como impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose e catarata e ainda contribui para acidentes cerebrovasculares e ataques cardíacos que podem ser fatais.
A prevenção e o diagnóstico precoce são as formas mais eficazes para proteger as mulheres contra esse tipo de tumor
Foi apresentado recentemente um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e publicado no International Journal Public Health (IJPH) que mostrou um aumento de 26% nos casos de câncer de mama nos estágios mais graves da doença. A rádio-oncologista do Oncoville, Paula Soares, explica que um dos principais motivos desse avanço nos casos mais graves foi a pandemia da Covid-19. “Muitas pessoas deixaram de fazer os exames de rastreamento no momento correto devido ao medo de contrair o vírus durante seu período nas clínicas, mesmo as instituições e pacientes tomando todas as medidas de segurança contra a propagação do novo coronavírus.”
O medo tomou conta da população diante do novo coronavírus e isso acabou afetando o diagnóstico inicial de pacientes com câncer. O risco de um diagnóstico tardio se tornou determinante para se ter a cura ou não do câncer. O aumento de 26% diz respeito a tumores nos estágios III e IV. “São aqueles tumores mais avançados localmente ou com doença fora do local onde se originou”, aponta Paula Soares. Para chegar a essa porcentagem alarmante, os pesquisadores compararam dados entre 2013 a 2019 e 2020 a 2021, época mais difícil da pandemia. Para o estudo foram analisadas mulheres de 50 a 69 anos, a faixa etária de maior risco, que deveriam realizar esse exame periodicamente.
O Instituto Nacional de Câncer – INCA estima que 73.610 novos casos de câncer de mama serão diagnosticados até dezembro de 2023. “A prevenção e o diagnóstico precoce possibilitam mais alternativas para controle e cura da doença. Por esse motivo, é fundamental manter os exames em dia e, sempre que perceber algo diferente no corpo, procurar um especialista. Quanto mais cedo diagnosticado, melhores as chances de cura”, ressalta Paula Soares, rádio-oncologista.

