Retinoblastoma é um câncer comum em crianças com menos de cinco anos e pode ser tratado com radioterapia
O jornalista Tiago Leifert e sua esposa, Diana Garbin, revelaram que a sua filha Lua, de 1 ano e 3 meses, foi diagnosticada com retinoblastoma, um câncer que acomete o olho durante a infância e considerado o tipo mais comum de neoplasia que acomete o olho durante a infância. A maioria dos casos, 90%, é em crianças com menos de cinco anos de idade. É um tumor maligno que se desenvolve na retina, devido a uma mutação num gene no cromossomo 13. Estatísticas mostram que anualmente cerca de 400 crianças são diagnosticadas com esse tumor no Brasil.
O principal sintoma do retinoblastoma é a lecocoria, ou seja, um reflexo branco na pupila, conhecido como reflexo do olho de gato. Essa situação está presente em 90% dos casos diagnosticados. Uma forma de verificar esse sinal é sob luz artificial, quando a pupila está dilatada, ou em fotos com flash. Em crianças com os olhos saudáveis, o reflexo do flash é sempre vermelho e não branco. Outros sintomas são a baixa visão, estrabismo e deformação do globo ocular.
Em fase inicial a doença tem até 90% de cura. Entre os principais tipos de tratamento estão a radioterapia, cirurgia, crioterapia, terapia a laser (fotocoagulação ou termoterapia e quimioterapia. As opções terapêuticos serão baseadas no estágio que a doença foi diagnosticada.
O primeiro mês do ano foi escolhido para a campanha Janeiro Verde com o objetivo de alertar as mulheres sobre a prevenção do câncer do colo do útero, tumor que tem alta chance de cura em estágios inicias, mas com o diagnóstico tardio as taxas diminuem. Estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que anualmente mais de 530 mil novos casos de câncer do colo do útero ocorrem no mundo e mais de 16 mil somente em mulheres brasileiras, sendo o quarto tumor feminino mais comum e o primeiro câncer ginecológico com a maior incidência no Brasil.
O médico rádio-oncologista do Oncoville, Daniel Neves, explica que faixa etária mais comum para o surgimento do tumor é entre os 45 e 50 anos: “Esse tipo de tumor é causado principalmente pela infecção por alguns tipos do Papilomavírus Humano, o HPV. São conhecidos mais de cem tipos diferentes do vírus, sendo o HPV 16 e 18 os responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo uterino. Esta infecção pode, ou não, evoluir para o câncer sendo que, na maioria das vezes, ocorre a eliminação do vírus devido resposta imunológica do indivíduo.”
Fazer o preventivo, também, chamado de Papanicolau (exame de rastreamento) é fundamental para detecção precoce do câncer de colo do útero e visa detectar lesões precursoras e fazer o diagnóstico da doença. Este exame de rastreamento é recomendado a quem possui colo do útero, já iniciou atividade sexual e está na faixa etária entre 25 e 64 anos.
Saiba como é realizado o tratamento com radioterapia
O físico médico do Oncoville, Paulo Cesar Dias Petchevist, explica que o câncer de colo uterino tem seu tratamento com radioterapia através das modalidades de Teleterapia ou Teleterapia com Braquiterapia associada. “A Braquiterapia é um procedimento onde aplicadores específicos são introduzidos via vaginal para conduzir fontes radioativas à região a ser tratada no colo do útero. Os aplicadores impedem que haja qualquer contato físico da fonte radioativa em si com a paciente e que apenas a radiação proveniente dela entregue a dose prescrita à região alvo. Normalmente são necessárias quatro aplicações e cada uma delas tem em média duas horas de duração.”
Já Teleterapia consiste no emprego de feixes modulados de raios X à região alvo, com a finalidade de entregar a dose prescrita ao colo uterino e preservar os órgãos de risco vizinhos a ele, como bexiga, reto, intestino, sigmoide e fêmures. A irradiação é feita de maneira indolor em 25 a 30 aplicações diárias com duração média de 15 minutos cada. “A paciente é posicionada na mesa de tratamento com alguns suportes específicos que garantirão a reprodutibilidade do posicionamento diariamente. Após a localização da região alvo ser feita por imagem radiológica, a irradiação da região iniciará. A paciente verá apenas a máquina girar em torno dela sem qualquer dor ou contato físico durante a aplicação.”
O especialista ressalta, ainda, que é pedido à paciente que esteja com a bexiga cheia tanto para a simulação (tomografia de planejamento) quanto para todos os demais dias de tratamento. A bexiga cheia tem a função de distanciar o intestino da região a ser irradiada, proporcionando menos efeitos colaterais derivados do tratamento.
Em levantamento realizado em 2020 pelo Instituto Oncoguia, uma informação chama muito a atenção: a maioria das pessoas em tratamento oncológico em nosso país não sabe como lidar com a oscilação de humor. Vale salientar que a saúde mental é um dos pontos-chave para quem está realizando o tratamento contra o câncer. O impacto do diagnóstico pode levar o paciente a desenvolver problemas de ordem emocional como ansiedade e depressão, por exemplo. Acompanhamento multidisciplinar é fator importante tanto para o paciente quando para familiares e cuidadores.
Pesquisas apontam que um paciente oncológico tem mais chances de desenvolver um quadro depressivo e por isso é preciso desenvolver estratégias de intervenção para fortalecer o psicológico, minimizando a dor e o sofrimento. Essas medidas poderão ajudar a aceitar e superar este momento pelo qual está passando.
Campanha Janeiro Branco tem como foco a saúde mental
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem no Brasil aproximadamente 12 milhões de pessoas que sofrem de depressão e outras 20 milhões possuem sintomas de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, estresse pós-traumático e até mesmo ataques de pânico. A campanha Janeiro Branco tem como objetivo voltar o olhar para essa questão, com foco nas doenças da mente, no cuidado consigo mesmo. Vale a máxima: Mens sana in corpore sano (mente são em corpo são), citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal.
Mas o que isso significa? Que é preciso viver em harmonia (equilíbrio), cuidando do corpo e da mente, mantendo um constante equilíbrio entre o bem-estar físico e mental para se ter uma qualidade de vida melhor. Muitas vezes, há a necessidade de mudança de comportamento, o que exige uma boa dose de dedicação e prática constante, mas com isso será possível atingir os resultados que a pessoa espera.
Dicas para cuidar do corpo e da mente
1 – Cuide de sua alimentação: de preferência, adote uma alimentação balanceada e rica em nutrientes, evite produtos industrializados, substitua alimentos calóricos e gordurosos por alimentos naturais e saudáveis. Importante: coma menos e melhor e procure escalonar as refeições;
2 – Se hidrate: beba no mínimo dois litros de água por dia. A água é responsável por hidratar, nutrir e limpar o organismo das toxinas e impurezas;
3 – Pratique exercícios físicos: praticar exercícios é tão importante para o corpo quanto para a mente, pois ajudam a reduzir o estresse, aliviar a ansiedade, aumentar a capacidade cerebral e produtividade, melhorar a memória e a produzir substâncias químicas que nos tornam mais felizes.
4 – Preste atenção no seu sono: dormir bem ajuda a ter uma vida melhor e mais saudável, pois diminui a irritabilidade e o estresse, ajuda a emagrecer, melhora a pele, previne o envelhecimento precoce.
5 – Seja feliz: procure fazer atividades que sejam prazerosas. Vale um bate-papo com os amigos, uma ida ao cinema (tomando todos os cuidados possíveis em tempos de pandemia), leia um bom livro, ouça músicas, dance!
Sempre que possível, é bom fazer uma “higiene mental” para afastar os pensamentos negativos. Vale também tentar se livrar de mágoas, ressentimentos e tudo o que não faz bem. E lembre-se: cuide do seu interior, mantenha sua mente são em corpo são.
A campanha Janeiro Branco foi criada com o intuito de disseminar a importância sobre a saúde mental e trazer conhecimento sobre o assunto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a “saúde é um completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”. Diante disso, a campanha tem a seriedade de lembrar as pessoas sobre a urgência em cuidar da saúde mental e não apenas da saúde física, passando a ver o ser humano de forma holística e não desintegrada.
Idealizada pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, a campanha teve seu início janeiro de 2014, quando um grupo de psicólogos de Uberlândia, Minas Gerais, levantou a bandeira para falar sobre saúde mental, saúde emocional, sentido de vida, qualidade de vida e harmonia nas relações humanas.
O Ministério da Saúde em seu site oficial cita a importância de se ter hábitos saudáveis, tanto para o corpo quanto para a mente, e dá algumas orientações que podem contribuir com a qualidade de vida das pessoas.
Saiba mais:
1 – Reserve um tempo para curtir a vida e a convivência com os outros;
2 – Viva intensamente seus momentos em família;
3 – Pratique atividades físicas;
4 – Mantenha uma alimentação saudável;
5 – Reforce seus laços de amizade;
6 – Não abra mão de boas noites de sono;
7 – Não tenha vergonha de buscar ajuda de profissionais.

