Entrevista do rádio-oncologista Henrique Balloni, do Oncoville, à Rádio Mundo Livre FM

O câncer de próstata é o mais comum entre os homens. Você conhece os fatores de risco para o desenvolvimento da doença? O rádio-oncologista Henrique Balloni, do Oncoville, explica para a rádio Mundo Livre FM quais são os hábitos que podem ser perigosos. Confira:

Apresentadora: De volta com o Por Dentro do Mundo e neste mês a Mundo Livre abraça novamente a campanha Novembro Azul com o objetivo de chamar a atenção para a saúde masculina especialmente sobre a importância da prevenção do câncer de próstata. O câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens e existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento da doença, conforme explica o Dr. Henrique Balloni rádio-oncologista do Oncoville.

Dr. Henrique Balloni: Diversos fatores estão relacionados ao câncer de próstata, como idade avançada, histórico familiar ou mesmo fatores ambientais que podem ser modificados como sedentarismo, obesidade, uso de álcool e cigarro. A mensagem que fica é: tenha hábitos de vida saudável na prevenção do câncer de próstata.

Apresentadora: Esse foi o recado do Dr. Henrique Balloni do Oncoville. Lembrando que os homens devem começar a realizar exames periódicos que podem identificar precocemente o câncer de próstata a partir dos 45 anos de idade.

Uma das perguntas mais frequentes é o motivo que causou o câncer de próstata. Existem duas causas principais: a primeira é a questão genética, que é do nosso próprio DNA. A segunda é ambiental. Esses dois fatores são os principais responsáveis pelo desenvolvimento do câncer de próstata. A questão genética não tem como ser mudada, mas a ambiental sim, com hábitos de vida saudável, alimentação balanceada, praticando exercícios físicos regularmente, evitando o consumo do álcool e tabagismo. 
 
A idade também é um dos fatores de risco para o câncer de próstata, já que mais de 90% dos tumores afetam homens acima de 50 anos. A hereditariedade também deve ser analisada, principalmente quando a pessoa apresenta na família um parente de primeiro grau, avô, pai, tio ou irmão que já teve ou tem câncer de próstata, isso pode dobrar o risco de também desenvolver a doença. 
 
A realização de exames periódicos também deve fazer parte da prevenção e diagnóstico precoce da doença. É importante ficar atento aos fatores de risco e iniciar os exames de detecção precoce na faixa dos 45 anos.
 
Lembre-se: quanto antes diagnosticado o câncer de próstata, maiores as taxas de cura.

A campanha Novembro Azul teve a sua origem na Austrália, em 2003, e desde então se espalhou pelo mundo como forma de alertar e conscientizar os homens sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). 
 
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que foram diagnosticados 65.840 novos casos de câncer de próstata no Brasil em 2020. Apesar dos números elevados, muitos homens não realizam os exames preventivos, entre eles o exame de PSA (antígeno prostático específico) e o exame digital da próstata.
 
O rádio-oncologista Henrique Balloni, do Oncoville, explica que a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda iniciar o rastreamento contra o câncer de próstata a partir dos 50 anos em homens sem fatores de risco, e com 45 anos naqueles com histórico familiar da doença em pai, irmãos ou tios. Cerca de 10% dos homens após os 50 anos de idade desenvolvem a doença. Conforme o envelhecimento, as chances crescem, podendo acometer mais de 50% dos homens aos 75 anos. “O diagnóstico definitivo é feito pela biópsia da próstata guiada por ultrassonografia. Em estágio inicial, o objetivo do tratamento é curativo, porém, em casos avançados, já com metástases, o foco está no controle da doença.”

Tratamento contra o câncer de próstata 

O tratamento ideal para o câncer de próstata localizado ainda causa muita dúvida entre os pacientes e depende de vários fatores como doenças preexistentes do paciente, expectativa de vida e características do câncer de próstata. O físico médico Paulo Petchevist, do Oncoville, explica que hoje em dia o câncer de próstata tem seu tratamento com radioterapia externa (Teleterapia) de forma segura, prática e em poucas aplicações. “A radioterapia de próstata aplicada em centros de excelência tem empregado esquemas de tratamento cada vez mais curtos com doses por aplicação cada vez maiores. Isso só é possível com a combinação de técnicas de localização de alta precisão obtida com Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT) e técnicas de modulação de dose, como Radioterapia de Intensidade Modulada (IMRT) ou Radioterapia em Arco Modulada Volumetricamente (VMAT)”, cita.

O IGRT é muito importante uma vez que a próstata é um alvo de tratamento que se localiza entre estruturas móveis que podem estar total ou parcialmente preenchidas, como é o caso do reto e da bexiga, que levam a deslocamentos da próstata entre uma aplicação e outra. Por isso, visualizar radiologicamente a posição da próstata antes de iniciar a entrega de altas doses de radiação e poder efetuar uma correção de posição através da mesa robótica de tratamento é tão fundamental. “Com a correção submilimétrica da posição da próstata executada será então possível entregar a alta dose de tratamento através de uma das técnicas de modulação (IMRT ou VMAT). No Oncoville, a combinação das técnicas de IGRT e VMAT tem mostrado grande êxito nos tratamentos hipofracionados de próstata feitos em 28 frações e em radiocirurgias de próstata feitas em cinco frações, duas vezes por semana”, destaca Paulo Petchevist.